Temperatura: 30 graus célsius, sensação térmica: 34 graus célsius, umidade relativa do ar: 59%, minha tolerância: beirando os 1%. Mas tudo bem: o pôr do sol chegará às 20:25, o dia se tornará menos incômodo e poderei fazer algo de produtivo e com ânimo até a hora de dormir. Como trabalharei amanhã pela manhã, levantarei cedo, às 04:30; logo, dormirei hoje às 21:30. Concluindo: este será um dos dias mais curtos desta minha passagem por estas bandas.
Ainda não almocei, o desânimo e a preguiça competem coa fome e a vontade de desmaiar. Há pouco tentei concluir um trabalho para o trabalho que a instrutora passou para trabalharmos nos dias de folga. Cheguei na metade! Pedi ajuda a um vizinho, mas este estava ocupado com as cólicas e choro do seu recém nascido, com sua esposa e com o meu filho.
O circulador mais faz barulho do que empurra o ar. O gabinete do meu computador aquece e ouço o sensível ruído do cooler. Um zumbido nos meus ouvidos aumenta e torna-se enlouquecedor... A cama está repleta de material para estudar, cursos e mais cursos. A escrivaninha cheia de papéis e pó. No quadro branco repousam alguns lembretes em alfabeto russo e com uma criptografia pobre.
Busco, quase em vão, forças para chegar até o momento de repouso. Lá fora percebo que a luz se atenua, provavelmente resultado de uma nuvem passageira. Quase desabo de sono.
E assim, rumando solitário, sem tripulação, rumo a um porto desconhecido, talvez igualmente habitado por fantasmas. Que jogo cruel! Que viagem inglória! O que devo aprender? Posso eu ter escolhido isto?
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